A Comissão Permanente de Educação da Câmara Municipal do Rio realizou, nesta sexta-feira (15/05), sua sexta audiência pública externa, desta vez em Bangu, na Zona Oeste da cidade. O encontro reuniu alunos, responsáveis e profissionais da educação da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) no Salão Nobre do Bangu Atlético Clube para discutir desafios e propostas de melhorias para a rede municipal de ensino.
Presidente do colegiado, o vereador Salvino Oliveira (PSD) enalteceu o trabalho dos profissionais da educação, fundamental para transformar a vida de crianças e adolescentes. O parlamentar citou as dificuldades de se construir uma educação de qualidade em um cenário tão violento quanto o da cidade do Rio de Janeiro. “A principal reclamação que ouvimos dos profissionais de educação é relacionada à segurança pública. Todos têm medo de ir e vir da escola”, afirmou.
O vereador destacou a importância da audiência para o debate sobre educação pública de qualidade no município. Ele reconheceu que ainda existem desafios, como infraestrutura e alimentação escolar, mas avaliou que há avanços relevantes. “O trabalho que estamos realizando aqui é um compromisso com o futuro da nossa cidade. É através da educação que vamos mostrar a essas crianças que elas podem sonhar grande”, declarou.
Entre os avanços apontados por Cláudia Medina, coordenadora de educação da 8ª CRE, está a ampliação no número de Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs) dentro das comunidades de Vila Aliança e Vila Kennedy. “Nós estamos mostrando a esses alunos que eles têm direito ao aprendizado com qualidade e dignidade. A educação muda o futuro dessas crianças”, disse.
Cláudia também apresentou números que indicam melhorias na educação da chamada Zona Oeste 1, que abrange bairros como Bangu, Padre Miguel, Realengo, Deodoro e Senador Camará. Segundo ela, o percentual de estudantes alfabetizados passou de 56%, em 2023, para 65% ao fim de 2025. A região conta ainda com 187 unidades escolares e 90 salas de recursos voltadas ao atendimento de 3.891 alunos da educação especial. 
A rede da 8ª CRE desenvolve projetos especiais com alunos desde a creche até o Ensino Fundamental II. Cláudia ressaltou o projeto “Sua Frequência é Show de Bola”, que leva escolas com 100% de frequência dos alunos para conhecer as instalações do Bangu Atlético Clube. Há ainda iniciativas voltadas à valorização da ciência e da cultura, ações em parceria com o Conselho Tutelar e até um podcast produzido pelos próprios alunos.
Redução da evasão escolar como objetivo
O secretário municipal de Educação, Hugo Nepomuceno, celebrou a conquista do prêmio de equidade racial na educação, concedido ao Rio de Janeiro pelo Instituto Identidades do Brasil (IDBR). De acordo com o secretário, o município vem desenvolvendo ações para reduzir a desigualdade racial entre estudantes, fator que impacta diretamente a evasão escolar e o aprendizado de crianças racializadas. “Não dá mais para o Brasil aceitar que crianças pretas e pardas aprendam menos que crianças brancas”, afirmou.
Hugo também destacou o Programa Bora pra Escola, apontando que foi através dele que o Rio atingiu o menor número da série histórica de evasão escolar, com apenas 0,3%. “Hoje, o município sabe exatamente quantos alunos faltam sem justificativa. A partir da primeira falta, já entramos em contato para prevenir que o estudante evada”, explicou. Para o secretário, é imprescindível que a escola seja atrativa para que as crianças e adolescentes tenham vontade de estarem presentes.
Escola para todos
Priscila Fernandes, mãe de quatro alunos da rede municipal, citou o papel da escola no acolhimento de crianças com transtornos intelectuais. “Minha filha foi diagnosticada com esquizofrenia graças à escola. E foi lá que ela recebeu amparo das professoras, que permitiram que ela continuasse estudando apesar das dificuldades”, contou.
Giselle Guimarães, mãe e pedagoga de crianças atípicas, alertou que nem todos os institutos têm o mesmo cuidado com esses estudantes. “Precisamos ter mais formas de suporte, dentro do ambiente escolar, para que essas crianças tenham acesso a terapias e acompanhamento”, cobrou.
Em resposta às falas, o vereador Salvino Oliveira mencionou um projeto de lei protocolado por ele na Câmara do Rio que busca priorizar o atendimento de crianças da rede municipal, agilizando a obtenção de laudos para autismo e outros transtornos.
Segurança para alunos e professores
José Carlos Ferreira, professor e suplente do Conselho Escolar, questionou o vereador Salvino sobre a existência de projetos voltados à criação de cargos para controle de acesso às escolas, com foco na segurança dos estudantes. “A vulnerabilidade das crianças é um tema muito sensível, principalmente em áreas conflagradas. Ter um cargo como o de porteiro poderia aumentar a segurança,” questionou.
Salvino respondeu que a criação de novas vagas é atribuição do Poder Executivo, mas destacou que a Câmara possui projetos de lei voltados à ampliação da segurança nas escolas, incluindo a instalação de câmeras de monitoramento nos colégios municipais e em seus arredores, integradas ao CIVITAS.
A estudante Geovana Ferreira, representando o Grêmio Estudantil do SESC, defendeu que tenham mais políticas públicas voltadas ao incentivo ao esporte para crianças e adolescentes. O parlamentar respondeu afirmando que a Câmara negocia com o secretário de esporte, Guilherme Schleder, para criar a Bolsa Atleta no âmbito municipal.
Valorização dos profissionais da educação
O subprefeito da Zona Oeste 1, Robson Chocolate, enalteceu o papel dos professores e dos profissionais da educação no acolhimento de estudantes, que é fundamental para a permanência. “Os alunos precisam de carinho. Eles querem se sentir valorizados e queridos pelos educadores”, afirmou.
A professora e coordenadora da Comissão de Educação da Câmara Municipal, Ioliris Paes, ressaltou o trabalho conjunto entre Executivo, Legislativo e profissionais da educação para implementar projetos que melhorem a educação na cidade. “Precisamos ouvir os professores para mudar nossa realidade. Se eles não comprarem a ideia, não adianta nada”, disse Ioliris.
O vereador Leniel Borel (PP), presidente da Comissão de Direitos da Criança, do Adolescente e Juventude, também marcou presença no encontro; Niquinho (PT) participou do debate de forma remota.











