Quinta, 30 Junho 2022

Pesquisa apresentada em audiência pública revela condições das unidades de acolhimento da cidade do Rio

Quase 70% das unidades de acolhimento institucional de crianças e adolescentes da cidade do Rio de Janeiro apresentam algum tipo de problema, relacionado à água e esgoto, telefonia e internet, fundações e estrutura, entre outros. Esse foi um dos dados apresentados na audiência pública realizada nesta quinta-feira (30) pela Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal do Rio. Presidida pela vereadora Thais Ferreira (PSOL), a audiência discutiu a situação dos abrigos, com a participação de representantes do Poder Executivo, do Judiciário, Ministério Público e de outras instituições da sociedade civil, como a Rede Abrigo.

Diretor do Instituto Rede Abrigo, Douglas Lopes revelou outras informações de uma pesquisa feita em 2021 com abrigos públicos e privados. De acordo com o levantamento, 100% das instituições públicas apresentam problemas, contra 42% da esfera privada. Entre os principais estão os eletrodomésticos e eletrônicos (60,87%), portas e janelas (52,17%) e problemas elétricos (43,48%). O item saúde é também um grave problema enfrentado pelas unidades. Em 50% delas foram colhidos relatos de que não conseguiram buscar tratamentos para os abrigados, principalmente com profissionais especializados, como fisioterapeutas, psicoterapeutas e dentistas; 65% tiveram dificuldade para obter medicamentos.

A pesquisa ainda revelou que 79,86% dos acolhidos na cidade do Rio de Janeiro são negros, 86% vêm das favelas e 55% são originários da Zona Oeste o que, na visão de Lopes, pode ser delicado quando há uma transferência de abrigados de uma região para outra. “No segundo semestre de 2021, vimos a unidade Ana Carolina, que funcionava em Ramos, ser colocada no Espaço Cazuza, em Laranjeiras, com a unidade Bia Bedran. Territorialmente, é complicado e desrespeitoso tirar abrigados da Zona Norte para a Zona Sul”, observou. Lopes defende a manutenção dos acolhidos próximos aos seus locais de origem e suas famílias.

A promotora Patrícia Hauer Duncan, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Infância da Capital do Ministério Público do Rio de Janeiro, defendeu também a questão da territorialidade na distribuição dos abrigos e da não separação de irmãos. “Muitos meninos e meninas são oriundos da Zona Oeste e da Zona Norte. É importante que haja acolhimentos nestes lugares para que as crianças possam ser mantidas perto de suas residências, e não podemos permitir que irmãos sejam afastados por questões burocráticas”, acentuou.

Egresso do acolhimento, Lucas Rodrigues ressaltou as dificuldades dos abrigos e ressaltou a importância das parcerias. “A Assistência Social não consegue dar conta de tanta demanda. Precisamos do envolvimento de outras secretarias, como a da Educação e Saúde”. Já a subsecretária de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Sheila Maria de Oliveira, que representou a secretária Maria Domingas Pucu, falou sobre a atuação do corpo técnico da pasta. “É um grande desafio fazer gestão da política de assistência social na cidade do Rio de Rio, que é uma megalópole, e fazer uso de pesquisas, como a da Rede de Abrigos, é fundamental para direcionar melhor o trabalho”.

Para a vereadora Thais Ferreira, há um acúmulo histórico em relação à vulnerabilidade das crianças e dos adolescentes brasileiros, e é preciso atendê-los com urgência. “Essa excepcionalidade, que é caso das crianças desabrigadas, precisa ser tratada com responsabilidade e prioridade por todas as pessoas. O tempo da política não é o tempo da criança. Nesse minuto e em outras horas que seguirão no nosso dia teremos crianças na cidade do Rio de Janeiro sendo violadas em todos os seus direitos fundamentais. Sem o atendimento, sem as respostas e as cobranças devidas não vamos chegar ao caminho que de fato garante que toda criança seja respeitada como um sujeito integral de direitos”, concluiu.

Participaram também da audiência pública o vereador Jair da Mendes Gomes (PROS), vice-presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente, as vereadoras Laura Carneiro (PSD) e Teresa Bergher (Cidadania), a defensora pública Eufrásia Maria Souza e a juíza de direito Lúcia Glioche. 

 

 

Veja também:

Ago 16, 2022

Órgãos públicos poderão exigir contratação de empresas que tenham deficientes em seus quadros

Nesta terça-feira (16), os vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeitaram o…
Ago 15, 2022

Câmara do Rio promove roda de conversa para debater a violência obstétrica e os impactos na saúde mental materna

O auditório da Câmara do Rio sediou uma roda de conversa com o tema "Violência Obstétrica…
Ago 15, 2022

Pauta semanal: 16 a 18 de agosto de 2022

A Câmara Municipal do Rio vota, a partir desta terça-feira (16), projetos de lei sobre…
Ago 12, 2022

Agora é lei: escolas do Rio terão programa de prevenção ao câncer de pele

Os alunos da educação infantil e fundamental I na rede de ensino municipal e particular…
Ago 11, 2022

Conselho de Ética aprova relatório final que pede a cassação do mandato de Gabriel Monteiro

De forma unânime, os membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara do Rio…

Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Palácio Pedro Ernesto
Praça Floriano, s/nº - Cinelândia
Cep: 20031-050
Tel.: (21) 3814-2121
E-mail: ascom@camara.rj.gov.br

Acesse o site antigo



© 2021-2022 Câmara Municipal do Rio de Janeiro